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Trablho e reprodução social na ontologia de Lukács

Trablho e reprodução social na ontologia de Lukács

O trabalho intitulado “Notas introdutórias sobre o trabalho e a reprodução social na Ontologia de Lukács” tem como objetivo apresentar, em caráter introdutório, os principais elementos da categoria reprodução social a partir da ontologia lukacsiana, enfatizando o papel fundante do trabalho na constituição do ser social. Trata-se de uma pesquisa teórica e bibliográfica baseada no referencial marxiano-lukacsiano

A investigação parte do pressuposto de que o ser social só existe por meio de sua reprodução contínua, a qual decorre dos atos de trabalho teleologicamente postos, ou seja, orientados por finalidades conscientes. Nesse sentido, a transição do ser orgânico para o ser social se dá mediante o desenvolvimento da consciência, que permite ao ser humano projetar fins e intervir na natureza, transformando-a e, simultaneamente, transformando a si próprio.

Diferentemente das esferas inorgânica e biológica — nas quais não há criação de novidade qualitativa — o ser social produz história por meio de sua capacidade de planejar, executar e avaliar ações. Essa especificidade se expressa no trabalho como atividade mediadora entre homem e natureza, caracterizada pela articulação entre teleologia (posição de fins) e causalidade (condições materiais de realização).

O texto destaca que o trabalho é o modelo de toda práxis social, pois nele estão presentes elementos fundamentais como: 1 - a antecipação mental do resultado (ideação); 2 - a escolha de meios adequados; 3 - a objetivação (produção de um objeto concreto); 4 - a exteriorização (transformação do próprio sujeito).

Esses processos não apenas geram produtos materiais, mas também produzem conhecimento, o qual é acumulado e socializado. Tal dinâmica conduz à generalização, entendida como a passagem do conhecimento individual para o coletivo, constituindo a base da reprodução social.

Além do trabalho, o artigo evidencia a importância dos chamados complexos sociais — como linguagem, cooperação simples e divisão social do trabalho — que operam por meio de teleologias secundárias (voltadas à influência entre indivíduos). Esses complexos são essenciais para a continuidade da vida social, pois possibilitam a comunicação, a organização coletiva e a transmissão de conhecimentos.

A linguagem, por exemplo, é compreendida como instrumento fundamental para a mediação social e para a generalização dos saberes; a cooperação simples aparece como forma primitiva de organização do trabalho coletivo; e a divisão social do trabalho emerge como desdobramento necessário do próprio processo laboral. Todos esses elementos se inter-relacionam e não podem ser compreendidos isoladamente.

Nas considerações finais, o texto reafirma que o trabalho constitui o fundamento ontológico do ser social e da reprodução social. Contudo, essa reprodução não se limita à transformação da natureza, pois depende também dos complexos sociais responsáveis pela socialização dos conhecimentos e pela continuidade histórica da humanidade. Assim, a reprodução social ocorre em dois níveis principais: 1 - o trabalho, enquanto base material e teleológica primária; 2 - a socialização dos resultados do trabalho, mediada por complexos sociais.

Conclui-se que a compreensão da reprodução social exige reconhecer a centralidade do trabalho e sua articulação com os demais complexos sociais, os quais, em conjunto, sustentam o desenvolvimento histórico e a constituição da sociabilidade humana.

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